Hospitais portugueses realizaram 19 572 abortos no ano passado, segundo dados da Direcção-Geral de Saúde (DGS). Relativamente a 2008, houve um aumento de cerca de mil interrupções de gravidez.

Relativamente a 2008, o ano passado registou mais 965 abortos em Portugal, mas os dados não parece preocuparem os responsáveis. É que a explicação para a subida do número de insterrupções de gravidez pode estar na diminuição do aborto ilegal, segundo o coordenador do Plano Nacional de Saúde Reprodutiva, Jorge Branco.

"Antes na nova lei da IVG (Interrupção Voluntária da Gravidez), tínhamos previsto que o número de abortos se situaria entre 20 mil e 25 mil. Admito que muitas mulheres que recorriam a interrupções ilegais passaram a vir aos serviços públicos, na sequência de uma confiança que tem sido difundida a pouco e pouco".
Jorge Branco, que é também director da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, acredita que um maior número de abortos poderá verificar-se por "mais um ano ou dois" e que "é bem-vindo se significar que não há nenhum aborto clandestino em Portugal".
127 abortos envolveram menores de 15 anos

As mulheres que mais recorreram aos hospitais para interromper a gravidez têm idades compreendidas entre 20 e 35 anos. Estão registados 127 IVG de menores de 15 anos.
Cerca de 70% dos abortos realizados em hospitais portugueses foram feitos no sector público, enquanto os restantes foram realizados no sector privado.
O maior número de mulheres (cerca de 36%) que recorreram à IVG residiam no distrito de Lisboa. O Porto está em 2.º lugar (13,8%) e Setúbal em 3.º (10,8%).