Por Maria Anastasia Leorato

Após a polêmica de Elton John contra Dolce e Gabbana, dois rapazes nascidos por inseminação artificial se juntam para defender os dois estilistas

ROMA, 20 de Abril de 2015 (Zenit.org) - A família é uma moda que não passa. Este conceito engloba a profunda e contestada visão assumida pelos estilistas Dolce e Gabbana ao expressar as suas contrariedades sobre a fecundação assistida.

Após o ataque feroz do cantor Elton John, pai de dois filhos obtidos de barriga de aluguel, e as palavras favoráveis ​​aos estilistas de conhecidos homossexuais como Cristiano Malgioglio, também da América chegam vozes em sua defesa.

Trata-se de Alana Newman e Hattie Hart, dois rapazes nascidos por meio da inseminação artificial, que expressaram os seus pensamentos diante o árduo conceito pronunciado pelo estilista Dolce que definiu tais crianças como “sintéticas”.

Apesar de tomar uma posição contrária a tal expressão, Newman e Hart, em uma entrevista para a revista Federalist, quiseram afirmar que, por trás dessa palavra, no entanto, encontra-se uma parte de verdade.

A questão não estaria tanto no conceito de humanidade, referindo-se aos homens que têm a mesma capacidade de entender e de viver, independentemente do modo de concepção, mas da avaliação dos seres humanos.

Em outra entrevista concedida pela CP Politics, Alana Newman refletiu sobre a existência de uma desigualdade entre as crianças concebidas através do método natural e aquelas que nasceram através da inovação científica.

Não questionando a licitude do seu nascimento, Alana declarou depois ao jornal ReligionenLibertad ter compreendido que a única razão da sua existência seja a de “levar prazer a outras pessoas, como minha mãe. Eu era uma espécie de instrumento”, disse, destacando também o quanto a distância da criança do pai e da mãe deva ser considerada um erro ético.

O conceito que mais faz refletir foi o proferido por Hattie Hart, quando entrevistado pela mesma revista. Disse que "uma das maiores tragédias resultantes da reprodução assistida é o não pertencer à uma família, a uma cultura”. É como se você se transformasse em um ser humano “modelado”, observou.

"Eu não concordo sobre como Elton John teve seus filhos - disse Newman a ReligionenLibertad -. Não compartilho o seu pensamento. Todo ser humano na história teve um pai e uma mãe”. “Tudo isso – acrescentou – ameaça o seu orgulho e o fato de que ele não permita e não reconheça às pessoas o direito de manifestar uma própria opinião, é como se realizasse um ato de bullying".

Também conversou com ReligionenLibertad, Domenico Dolce, que disse que "a pessoa nasce onde há um pai e uma mãe", porque "procriar é um ato de amor". A mensagem dos dois designers e a firmeza nos princípios sobre a família tornou-se especialmente fonte de inspiração para os seus vários desfiles internacionais e seus anúncios publicitários.

O último desfile de moda, acontecido por ocasião da Semana da Moda de Milão, foi dedicado à mãe e ao amor pelos seus próprios filhos, linha de pensamento representada principalmente pela modelo Bianca Balti, grávida de cinco meses, que teve a honra de abrir a passarela.

Fonte: http://www.zenit.org/pt/articles/a-procriacao-e-um-gesto-de-amor