Artigos

(in https://diocese-setubal.pt/2020/02/14/eutanasia-estas-iniciativas-legislativas-representam-mais-um-passo-na-instauracao-de-uma-cultura-da-morte/)

No próximo dia 20 de fevereiro a Assembleia da República irá discutir projetos de lei apresentados por diversos grupos parlamentares, para legalizar a eutanásia. Outros, mais capazes, já expuseram os motivos pelos quais estas iniciativas legislativas representam mais um passo na instauração de uma cultura da morte, ou seja, um retrocesso civilizacional. Veja-se por exemplo a nota pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa. Assim, nas próximas linhas irei abordar algumas das consequências práticas da liberalização do homicídio a pedido (também conhecido por eutanásia).

A Holanda foi o primeiro país do mundo a permitir esta prática, em 2002. Na altura foi invocado que a eutanásia apenas seria praticada em casos limite, como doenças graves e incuráveis, em que os pacientes estivessem em grande sofrimento, sem hipótese de cura e alívio, e sempre a pedido do próprio. Também são este os argumentos utilizados pelos seus proponentes em Portugal. Pois bem, atualmente a eutanásia já é praticada em crianças, em pessoas com depressão ou outras doenças do foro psicológico (por exemplo, em casos de rejeição amorosa), e frequentemente sem ser a pedido do paciente. De tal forma que na Alemanha, junto à fronteira com a Holanda, um dos negócios mais florescente são os lares de idosos para… holandeses. Com efeito, o primeiro país do mundo a praticar a eutanásia foi a Alemanha nazi, pelo que naquele país ninguém se atreve a propor a sua legalização, pela óbvia remissão para aquele hediondo regime. Como tal, os idosos holandeses estão seguros na Alemanha, longe da “misericórdia” daqueles que querem acabar com o seu sofrimento.

Atualmente, na Holanda, está em discussão a possibilidade de fornecer comprimidos letais a partir dos 70 anos de idade, para quando as pessoas acharem que já estão “cansadas de viver” e que a sua vida “se completou”. Naquele país também já começa a aflorar a possibilidade de se suspenderem tratamentos médicos muito dispendiosos a partir daquela idade, medida que colhe uma ampla aprovação entre os jovens universitários.

Como se pode ver, na Holanda e nos outros países em que a eutanásia foi legalizada, começa-se com os casos limite e paulatinamente vão-se alargando para outras situações, num fenómeno bem conhecido de “rampa deslizante”, não se sabendo onde se irá parar. Tendo em conta as crescentes dificuldades na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde, bem como no crescente envelhecimento da população, não podemos deixar de pensar que, se matarmos os doentes incuráveis, deixarmos de tratar os idosos, e os conseguirmos “convencer” a morrer a partir de certa idade (agora são os 70 anos), talvez se consigam finalmente acabar com as colossais dívidas do Serviço Nacional de Saúde, bem como voltar a ter um regime de pensões sustentável.

Para terminar, deixo uma história, que me foi contada como sendo um conto tradicional português: em certa aldeia, a partir de determinada idade, era hábito os filhos levarem os pais idosos para o cimo de um monte, onde eram deixados para morrer exposto ao tempo. Um dia, um homem dessa aldeia, achando que o seu pai já atingia os critérios, embrulhou-o numa manta, colocou-o às cavalitas e trepou até esse fatídico local. Depois de depositar o seu fardo e ajeitar a manta para o cobrir, o velhote disse-lhe: “leva a manta, não preciso dela”. “Deixe estar pai, assim fica mais abrigado”. “Não, leva-a tu, pois assim os teus filhos já têm uma manta para te acartarem quando chegar a tua vez”. Ao ouvir isto, o filho pegou no pai e trouxe-o de volta à aldeia, cuidando dele até se completarem os seus dias.

Luís Mamede Alves

Caros amigos, 

Como devem saber, no próximo dia 20 de fevereiro a Assembleia da República irá discutir projetos de lei para legalizar a eutanásia. Tendo em conta a atual composição do parlamento, e os partidos que apresentaram projetos legislativos neste sentido, existem fortes possibilidades que a lei seja aprovada na generalidade. 
Assim, de forma a impedirmos mais um retrocesso civilizacional no nosso país e o consequente avanço de uma cultura de morte, que se opõe a uma cultura de vida, sugerimos as seguintes ações: 
  • Participação na manifestação contra a legalização da eutanásia, em frente à Assembleia da República, dia 20 de fevereiro, às 12h30m;
  • Assinatura da subscrição pública para a realização de um referendo popular sobre o assunto;
  • Colaboração na recolha das assinaturas para a subscrição pública a pedir a realização do referendo.

A subscrição pública pode ser feita em papel (impresso junto) ou aqui neste endereço (por via electrónica). Sem prejuízo de todo o nosso empenho e interesse em reunir sem demora mais das 60 mil assinaturas necessárias, informamos que depois da votação do próximo dia 20 (com a previsível aprovação dos projectos de eutanásia) ainda se seguirá o debate na especialidade e que até à votação final global, poderemos entregar esta petição de referendo. De qualquer das formas foi fixado o dia 4 de Março para as primeiras contagens.

Em relação à recolha de assinaturas enviamos uma instrução em anexo bem como uma sugestão de aviso da iniciativa em todas as ocasiões de encontros públicos.

Qualque ajuda é bem vinda, e estamos ao dispor para quaisquer esclarecimentos.

Obrigado.

 

ISILDA PEGADO FotoElisabeteSilva

Chegou ao Supremo Tribunal de Justiça o caso em que um homem de 25 anos vem a falecer vítima de acidente de viação. Deixa um filho de 18 meses e a mulher que está grávida do seu segundo filho. Este (nascituro – é o ser humano concebido mas não nascido) viria a nascer 18 dias depois da morte do pai.

saber mais

Subcategorias

Artigos relacionados com a família